Empreendimentos

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

IN VERSUS VERITAS 2015 - POEMAS

IN VERSUS VERITAS 2015 - SELEÇÃO
IX ANTOLOGIA DA CASA DO POETA
DE SÃO PEDRO DO SUL/RS

VOZ: DAN TELL


01.TIC TAC DE ANDEJOS



02.NUVENS




03.PRECE PÓS-MODERNA



04.O QUE VOCÊ PRETENDE FAZER?




05.O SILÊNCIO




06.CENA URBANA




CONFERIR OUTRAS PRODUÇÕES?

ACESSE A VOZ DE DAN TELL


domingo, 17 de abril de 2016

O Corvo de Poe e o Brasil


Poesia O Corvo, de Edgar Alan Poe
Tradução: Fernando Pessoa
 Vídeo e voz: Dan Tell. 

Conferir outras produções de Dan Tell?

sábado, 16 de janeiro de 2016

FORMAÇÃO POLÍTICA SÃO PEDRO DO SUL 2015

Grandes Momentos em Áudio da Formação Política em São Pedro do Sul, 2015, patrocinada pela Fundação Ulysses Guimarães, com mediação de Éverson Moraes. 

1.Declaração pessoal de duas alunas - a importância da Formação.



2.Everson - Descobrindo se as metas de um político tem base sólida ou não. 



3.Políticas Públicas I - Sugestões para São Pedro do Sul. 



4.Políticas Públicas II - Os Obstáculos da Promoção Política. 



4.Éverson: Político - a questão da simpatia ou da competência.




Confira também a questão do controle político e social por meio de chaves criadoras de ansiedade na atual civilização, na entrevista de Éverson Moraes, contida na obra O Muro Devorador. Uma história do combate espiritual e psicológico envolvendo conflitos pessoais, a pressa e o tempo. Para saber mais, CLIQUE AQUI!



sábado, 29 de agosto de 2015

Jesus Cristo Super-Astro - Versões do musical


Quando “Jesus Cristo Superstar (Super-Astro)” explodiu no palco do West End em 1972, ficou claro que o mundo musical nunca mais seria o mesmo novamente. A ópera- rock de Tim Rice e Andrew Lloyd Webber conta a história dos últimos sete dias da vida de Jesus Cristo. 
Agora assista abaixo trechos de algumas das melhores versões do musical. 

Observação: No fim deste anúncio há um link para acessar a obra completa.

Com a Cabeça nas Nuvens




Conquistar o Céu pela Violência 


Judas, o pagamento 


Na Ceia, conflito com Judas


No Jardim Getsêmani 



Açoite



Crítica a Madalena



Descanse e relaxe esta noite


Descanse e relaxe. Não pense em nada esta noite, diz O Amor Puro na voz de Maria Madalena.
Há gente sofrendo, morrendo de fome - grita a ansiedade na voz de Judas.
Os que sofrem é uma constante neste mundo - responde Jesus. - Olhe para as coisas boas que você tem.
Feche os olhos e relaxe - repete o Amor Maior na voz de Maria Madalena. - Feche os olhos e relaxe...
Jesus Cristo Super-Astro, na linguagem de O Muro Devorador.

Mais sobre O Muro Devorador em: http://bitly.com/murodevorador



Entrada em Jerusalém



A ovelha perdida



A política quer morder

- Este homem é um perigo para o governo!
- Sim! Ele se diz filho do Equilíbrio Universal.
- Imaginem isso! Ele quer trazer a paz ao coração dos homens. Quer livrá-los da ansiedade.
- Precisamos impedir! Não queremos que o povo aprenda a vencer a ansiedade. Precisamos do povo correndo, preocupado, emburrecido, dopado, sem tempo para quase nada, a não ser trabalhar para nós!
- Exato! Só assim poderemos manter os altos impostos e taxas, e a manipulação social, para roubar o valor que representa o tempo de vida deles!
- Mas se este homem ensinar ao povo as técnicas para alcançar a paz, o equilíbrio interno, todo nosso poder estará ameaçado!
- De modo algum! Ele tem que morrer!
- Sim! –  concordam todos. – Ele tem que morrer!
Jesus Cristo Super-Astro, na linguagem de O Muro Devorador.
Mais sobre O Muro Devorador em: http://bitly.com/murodevorador



Para conferir as obras completas dos vídeos acima, CLIQUE AQUI! 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Matrix e o Amor Puro segundo O Muro Devorador























A questão do amor saudável entre sexos opostos envolve obviamente o sexual, e, além disto, também a paz que traz o relaxamento do contato, o quanto um parceiro é capaz de reorganizar o ritmo do outro, de afastar a ansiedade, e também de criar uma defesa contra esta. Assim, o amor age como uma força altamente organizadora e harmonizadora do nosso sistema nervoso.


Por isto, quando no filme “Matrix” Trinity beija Neo, declarando que acredita nele, todo o ser de Neo se reorganiza, desativando o estresse de ansiedade a que foi submetido, desfazendo a sua morte, concedendo-lhe a estabilidade necessária para romper por fim suas crenças limitantes e vencer o Muro Devorador.












Neo, tranquilize-se totalmente. Na força, na calma da minha 
certeza eu completo a  sua  dissolvendo  sua  incerteza.  Sem 
mais   ansiedade,  levante-se e  vença  O  Muro Devorador.

Em nosso mundo, com o aumento da velocidade e das preocupações em encontrar respostas fora de si mesmo, cada vez é mais difícil casais se harmonizarem, pois o inimigo traumatiza, levando seres ao sexo em um mistura de ansiedade e desvios emocionais. Isto é assim realizado, pois um casal que se harmonizasse profundamente, poderia se tornar ambos um ELOHIM, Homem e Mulher divinos, um Deus extremamente ameaçador para o sistema de controle do Muro Devorador.












Aquele que habita no esconderijo do Alto Amor, à sombra da calma perfeita descansará.
Dirá ao Amor Puro: Tu és  minha estabilidade, o meu refúgio, a minha fortaleza, em Ti confiarei.


















Porque Ele te livrará do laço do passarinheiro, e da peste perniciosa.

Ele te cobrirá com as suas penas, e debaixo das suas asas estarás seguro; a sua verdade será o teu escudo e broquel.
Não terás medo do terror da noite nem da seta que voa de dia,
Nem da peste que anda na escuridão, nem da mortandade que assola ao meio-dia.





















Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido.
Somente com os teus olhos contemplarás, e verás a recompensa dos ímpios , tragados em sua ansiedade pelo Muro Devorador.

Porque o Amor Maior é o teu refúgio. Dentro de ti, no repouso de tua montanha sagrada fizeste habitação.
Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
Porque os Anjos da boa sorte do Universo receberão ordens  a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão nas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.
Pisarás o leão e a cobra; calcarás aos pés o filho do leão e a serpente.















Porquanto tão encarecidamente amou o caminho do equilíbrio entre teu pensar,  sentir e agir no tempo, serás liberto, colocado em retiro alto, porque conheceste o Amor Puro.

Invocarás o Amor Maior, e a energia apaziguadora deste te responderá; estará contigo na angústia, do abismo da ansiedade te retirarás, e a glória da imortalidade será a tua coroa.












Nos braços do Amor Maior, estarás a salvo do Muro Devorador; tua   mente se tornará clara, e te será mostrada a tua salvação.

FAÇA ABAIXO A SUA ESCOLHA!

Eu escolho a Ansiedade, o Desejo Devorador

Eu escolho o Amor Puro



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

MATRIX E O MURO DEVORADOR DA ANSIEDADE





ABAIXO, ROTEIRO, COM REFERÊNCIAS AO FILME MATRIX.
PERSONAGENS EM CORRELAÇÃO AO FILME:
DANEO (NEO – O SENSITIVO QUE BUSCA)
WARTRI (TRINITY – A ENVIADA)
ÉFREUS (MORFEUS – QUE MOSTRA OS CAMINHOS)

(NÃO DEIXE DE VER, AO FINAL DO TEXTO, IMAGENS E FRASES DO FILME MATRIX SOB A ÓTICA DO MURO DEVORADOR



DANEO, NA BOATE, CONFUSO E DESNORTEADO COM A MOVIMENTAÇÃO DAS PESSOAS E O SOM. ELE SE ENCOSTA NA PAREDE EM UM CANTO. COLOCA AS MÃOS NA CABEÇA, DEPOIS AS PASSA PELO ROSTO. AO SEU LADO, COM UM COPO DE BEBIDA, WARTRI.



WARTRI: O QUE HOUVE? NÃO PARECE MUITO BEM.

DANEO, MEIO QUE OLHANDO A MULHER E DESVIANDO O OLHAR.

DANEO: NÃO. ESTOU BEM.

WARTRI: NÃO É O QUE PARECE. MAS TAMBÉM, NÃO DEVE SER FÁCIL, CERTO? PARA UM AUTISTA, NO MEIO DE TANTO SOM E BARULHO.

DANEO: O QUÊ?

WARTRI SE APROXIMA E DANEO RECUA.

WARTRI: SIM. AUTISTA. SENTIDOS SENSÍVEIS. NO SEU CASO, MAIS A AUDIÇÃO. COMO SE SENTE NESTE LUGAR? APAVORADO, COM VONTADE DE CORRER, DE SUMIR? SE NÃO FOSSE A MENSAGEM EM SEU COMPUTADOR, NUNCA ESTARIA AQUI, NÃO É MESMO?

DANEO: CO-COMO SABE DISSO? QUEM É VOCÊ?

WARTRI: FIQUE CALMO. SOU UMA AMIGA. MEU NOME É WARTRI. E VENHO LHE FALAR SOBRE ALGO QUE VOCÊ PROCURA. VENHO LHE FALAR SOBRE A MATRIX.  

DANEO: A MATRIX?

WARTRI: SIM, DANEO. EU SEI QUE VOCÊ QUER SABER O QUE ENLOUQUECE SEUS SENTIDOS. DE CERTO MODO É O QUE ENLOUQUECE TODAS AS OUTRAS PESSOAS NO MUNDO. EMBORA ELAS NÃO PERCEBAM. ANESTESIADAS DEMAIS. MAS UM AUTISTA... É QUASE IMPOSSÍVEL NÃO GRITAR. É QUASE IMPOSSÍVEL NÃO CORRER ATRÁS DE UMA RESPOSTA. POIS QUANTO MAIS PERTO DA DOR, MAIS SE BUSCA A SAÍDA DA MATRIX.



DANEO: VOCÊ PODE ME DIZER O QUE É A MATRIX?

WARTRI: POSSO TE LEVAR A QUEM PODE. POSSO TE LEVAR A ÉRFEUS.

DANEO: ÉRFEUS? ELE EXISTE MESMO?

DANEO: VAI VER POR SI MESMO.  MAS JÁ POSSO DIZER QUE ELE TEM A RESPOSTA. REVELOU PARA MIM. ASSIM COMO PODE REVELAR A VOCÊ.

DANEO: COMO POSSO FALAR COM ELE?

WARTRI: VENHA COMIGO. 

TEMPESTADE NUMA RUA DE CHÃO BATIDO. CASA DE MADEIRA COM UMA LUZ ESMAECIDA APARECENDO ENTRE AS VENEZIANAS DA JANELA DA FRENTE.

DANEO: É AQUI?

WARTRI: SIM.  NESTE LUGAR AFASTADO, ELE OFERECE RESPOSTAS PARA AQUELES QUE BUSCAM.

OS DOIS ENTRAM NA CASA.










WATRI: ENTRE NAQUELE QUARTO. ÉRFEUS O ESPERA. MAS ANTES, UM CONSELHO. SEJA SINCERO. ELE SABE BEM MAIS DO QUE IMAGINA.



DANEO ENTRA.

UMA MESA. DUAS CADEIRAS. EM UMA DELAS, ÉRFREUS COM ÓCULOS ESCUROS E SOBRETUDO.

ÉFREUS: FINALMENTE. BEM-VINDO, DANEO. SENTE-SE.



DANEO SENTA.

ÉFREUS: COMO DEVE SER ÓBVIO, EU SOU ÉFREUS.

DANEO: É UMA HONRA CONHECÊ-LO.

ÉFREUS: NÃO. A HONRA É MINHA. SABE, HÁ AUTISTAS QUE SOFREM ALÉM DA CONTA. MAS MESMO ASSIM, NEM TODOS PROCURAM. E DOS QUE PROCURAM, NEM TODOS ENCONTRAM. ACREDITO QUE DEVE ESTAR SE SENTINDO COMO ALICE, ESCORREGANDO PELA TOCA DO COELHO.

DANEO: PODE SER.

ÉFREUS: VEJO ISTO EM SEUS OLHOS. VOCÊ ACREDITA EM DESTINO, DANEO?

DANEO: NÃO.

ÉFREUS: POR QUE NÃO?

DANEO: PORQUE NÃO GOSTO DA IDEIA DE NÃO PODER CONTROLAR AS COISAS.

ÉFREUS: SIM. AUTISTAS. SEMPRE PROCURANDO O CONTROLE. O PADRÃO. A SEGURANÇA. PORQUE, CASO CONTRÁRIO, SE PERDEM. SEUS SENTIDOS ENTRAM EM CONFUSÃO EM UM MUNDO QUE SE TORNA AGRESSIVO. EU COMPREENDO SIM O QUE ISTO SIGNIFICA PRA VOCÊ. E VOU LHE DIZER POR QUE ESTÁ AQUI. ESTÁ AQUI PORQUE SENTE ALGO. SÃO SENSAÇÕES QUE NÃO SABE EXPLICAR, MAS QUE NÃO CONSEGUE SUPORTAR. MAS VOCÊ SENTE. SENTIU A SUA VIDA INTEIRA QUE HÁ ALGUMA COISA ERRADA, NÃO SOMENTE COM VOCÊ, MAS TAMBÉM COM O MUNDO. ESTÁ ALI, COMO UMA FARPA EM SUA MENTE... DEIXANDO-O LOUCO. ESTA SENSAÇÃO O TROUXE ATÉ MIM. SABE DO QUE ESTOU FALANDO?



DANEO: DA MATRIX?

ÉFREUS: QUER SABER O QUE É MATRIX?

DANEO DIZ QUE SIM COM A CABEÇA.

ÉFREUS: MATRIX ESTÁ À NOSSA VOLTA. ESTÁ EM TODA PARTE. MESMO AGORA, NESTA SALA AQUI. VOCÊ A VÊ QUANDO OLHA PELA JANELA, OU QUANDO LIGA A TELEVISÃO. VOCÊ A SENTE QUANDO VAI TRABALHAR. QUANDO BUSCA UM CAMINHO ESPIRITUAL. QUANDO FAZ COMPRAS, QUANDO PAGA SEUS IMPOSTOS. É O MUNDO QUE ACREDITA SER REAL PARA QUE NÃO PERCEBA A VERDADE.

DANEO: QUE VERDADE?

ÉFREUS: QUE VOCÊ É UM ESCRAVO, DANEO. NASCEU EM CATIVEIRO COMO TODO MUNDO. NASCEU NUMA PRISÃO QUE NÃO PODE VER OU TOCAR... UMA PRISÃO PARA SUA MENTE.












ÉFREUS SE ACOMODA PARA TRÁS NA CADEIRA.

ÉFREUS: ALGUNS DIZEM QUE NÃO SE PODE EXPLICAR O QUE É MATRIX. QUE CADA UM TEM QUE PERCEBER POR SI MESMO. É VERDADE. MAS PODEMOS TORNAR ESTA DESCOBERTA MAIS FÁCIL. EU POSSO ADIANTAR QUE MATRIX TEM SUA BASE NA ANSIEDADE. MAS PARA QUE ENTENDA MELHOR É NECESSÁRIO OLHAR MAIS DE PERTO, SOB UMA NOVA PERSPECTIVA.
ÉFREUS ESTENDE UM COPO COM ÁGUA PARA DANEO.

ÉFREUS: ESTA É SUA CHANCE. SE RECUSAR, NÃO HAVERÁ RETORNO. AQUI TEM UMA PÍLULA AZUL. SE TOMAR, VAI ACORDAR EM SUA CASA E ACREDITAR QUE NOSSA CONVERSA NÃO PASSOU DE UM SONHO. AGORA, AQUI... (MOSTRA UMA CAIXA VERMELHA AO LADO) SE ESCOLHER ABRIR ESTA CAIXA, ENTRA NO PAÍS DAS MARAVILHAS... E EU VOU MOSTRAR ATÉ ONDE VAI A TOCA DO COELHO.

DANEO ERGUE A MÃO.

ÉFREUS: LEMBRE-SE. ESTOU OFERECENDO A VERDADE, NADA MAIS.

DANEO ABRE A CAIXA VERMELHA. OLHA E RETIRA DE DENTRO DELA UM LIVRO.  LÊ O TÍTULO.

DANEO: O MURO DEVORADOR?

ÉFREUS:SIM.

DANEO: O QUE SIGNIFICA?

ÉFREUS: ESTE NOME É UMA METÁFORA, DANEO. REPRESENTA AQUILO QUE IMPEDE TODO SER HUMANO DE PROSPERAR E SER FELIZ. REPRESENTA O ELO COM A MATRIX, QUE APRISIONA OS SERES NA CORRERIA, NA PREOCUPAÇÃO, NO MEDO PELA SOBREVIVÊNCIA, NO MEDO DE NÃO SER AMADO, NO MEDO DE CONHECER A SI MESMO, NO MEDO DE TUDO.

DANEO: MAS AFINAL, O QUE É O MURO DEVORADOR?



ÉFREUS: O MURO DEVORADOR REPRESENTA A ANSIEDADE DO NOSSO TEMPO. E DE TODOS OS TEMPOS. LEIA E SAIBA POR QUE A ANSIEDADE NOS CONECTA A TUDO QUE NOS APRISIONA. PORQUE A ANSIEDADE, COMO FOI PRODUZIDA NA MODERNA CIVILIZAÇÃO, IMPEDE NOSSA REALIZAÇÃO, PRENDENDO-NOS A ENGANOS E ILUSÕES, PARA QUE SEJAMOS DEVORADOS. SABERÁ DISTO, E MUITO MAIS – EU LHE PROMETO – EM O MURO DEVORADOR.

DANEO FOLHEIA O LIVRO.

DANEO: MAS ESTÁ EM BRANCO.

ÉFREUS: POR POUCO TEMPO, MEU CARO AUTISTA. PORQUE VOCÊ VAI ESCREVER.

DANEO: VOU?

ÉFREUS: SIM. COM A MINHA COLABORAÇÃO.

DANEO: MAS PORQUE EU?

ÉFREUS: ORA, POR QUE MAIS? NÃO ESTAMOS AQUI, NUMA CÓPIA DA CENA DAQUELE FILME COM O KEANU REEVES? VOCÊ VAI FAZER PORQUE É O ESCOLHIDO, É CLARO! E PORQUE, ENTRE OUTRAS COISAS, A PARTIR DO SEU AUTISMO VAI PODER DAR AO LEITOR UMA VISÃO REALMENTE AMPLIADA, MUITO FORTE DA ANSIEDADE.

DANEO: ENTENDO. E DEPOIS?


ÉFREUS: DEPOIS LANÇAREMOS A SEMENTE. E OS OUTROS PODERÃO ESCOLHER SE PREFEREM TOMAR A PÍLULA AZUL E VOLTAR AO MUNDO QUE PENSAM CONHECER, OU SE PREFEREM VER A VERDADE, E PENETRAR  FUNDO DA TOCA DO COELHO, NAS PÁGINAS DE O MURO DEVORADOR. 

SOM FORTE DE TROVÕES. FIM.


OPÇÕES:

a) Escolha a pílula azul. Saia deste site CLICANDO AQUI!

b) Escolha a obra O Muro Devorador, CLICANDO AQUI! 


EXTRA! ABAIXO, FRASES DO FILME MATRIX, SOB A ÓTICA DA OBRA O MURO DEVORADOR.










sábado, 28 de março de 2015

O MURO DEVORADOR (SOBRE O AUTISMO, A ANSIEDADE E A OPRESSÃO SOCIAL)



O personagem principal de O Muro Devorador é um vilão e não tem um corpo definido, nem é exatamente uma pessoa. É algo que está nas pessoas, em algumas com mais intensidade, em outras menos, mas sempre presente como uma doença degenerativa e mortal na sociedade atual.  Falo da ansiedade, da pressa, da correria alarmante e demasiada que possuí as pessoas, principalmente na nossa sociedade moderna, limitando a visão do que é essencial na vida, fazendo com que muitos se desgastarem para terminar tarefas e mais tarefas que apenas se multiplicam como um bicho papão que nunca sacia sua fome. É o tempo devorador que nos faz quebrarmos nosso ritmo interno, desregulá-lo, produzindo assim a uma espécie de neurose que não chega a lugar algum, e que muitos defendem como o seu dever. Mas que dever é este trabalho que nos consome, que nos desgasta ao longo da vida, em troca de um benefício muitas vezes ilusório que não se sustenta? Que demônio é este que se apodera de nosso corpo e nos convence a corromper progressivamente nosso sistema nervoso, nossas células e nossa vida? O medo da não sobrevivência certamente está envolvido. Trabalhe para poder sobreviver, senão é a fome, a falta de abrigo, de roupas, a falta de tudo. Mas com certeza também está envolvido um falso sentimento de merecimento e honra. Trabalhe porque é digno, trabalhe porque é inferior ser preguiçoso, porque você deve cumprir o seu dever. Mas que trabalho e que conquista valem a destruição do nosso bem estar físico e emocional? Esta possivelmente seja a questão mais importante a se colocar. O que vale a quebra do nosso ritmo interno, do nosso equilíbrio, que esforços compensarão uma vida inteira desregulada, na qual nos perdemos de nos mesmos?



Minha primeira experiência com essa neurose de pressa e ansiedade que assombra o mundo foi na família. Minha mãe foi entregue pelo próprio pai para trabalhar na casa de outras pessoas, onde era tratada a base de gritos e maus tratos. Seu primeiro casamento surgiu como um meio de escapar, de obter alívio da correria e pressão a que era submetida. Quando eu era criança, ela também gritava comigo, repetindo de modo automático o que lhe haviam feito. Contudo, embora ninguém o soubesse na época, eu era uma criança com necessidades especiais. Meu ritmo sempre foi lento, e desde as primeiras lembranças que tenho de mim mesmo, parecia que o mundo ao meu redor era aquele dos astronautas a caminhar ou flutuar pela lua. Na escola fazia tudo muito devagar, de modo que uma vez a professora pegou o caderno das minhas mãos e escreveu o que faltava do texto para mim, já que eu era o único que ainda não o tinha terminado. Dificuldades para aprender, dificuldades para realizar tarefas manuais, cansaço físico, confusão mental. Era o que sentia quando procurava aumentar o meu ritmo para acompanhar os demais, ou para tentar atender as exigências da minha mãe. Seus gritos de nada ajudavam, deixando-me ainda mais nervoso; eu tentava fazer certo o que me era pedido, forçando-me a aumentar a  velocidade, o que apenas me tornava mais confuso, perdido e atrapalhado. A neurose da agitação atingiu minha mãe, e depois me atingiu também, desregulando o meu ritmo interno por praticamente toda uma vida. Pois em criança desenvolvi um culpa tremenda por não conseguir superar as expectativas dos outros, e acreditava – como me era dito – que tudo dependia apenas do meu esforço. E assim, quando me era cobrado, sempre corria para tentar realizar “aquela exigência”, o que me levava a me esforçar quase sempre além do meu limite pessoal, o que resultava no aumento da minha desatenção, da minha confusão mental e da ansiedade. O meu corpo automaticamente diminuía o ritmo, se tornava mais lento, porque meu sistema percebia que estava sendo sobrecarregado; mas quando me tornava assim, vagaroso, as pessoas vinham me cobrar, e eu tentava ir além novamente, tornando-me mais confuso, ansioso, e cometendo mais erros. Era um ciclo vicioso e realmente infernal, para o qual nada nem ninguém se mostrava capaz de apontar uma saída.   




Esta situação foi particularmente terrível em meu trabalho, quando iniciei no serviço público estadual, assumindo o cargo de secretário escolar. Não conseguindo me concentrar no ambiente de trabalho, nem me comunicar adequadamente com meus colegas, tendo cometido erros que não conseguia evitar, fui transferido para uma escola menor, onde permaneci por anos; contudo, sem jamais conseguir me adaptar à frequente demanda de tarefas burocráticas e de atendimento ao público do meu cargo. O estresse que sentia era tanto que muitas vezes retornava para casa como se tudo ao meu redor estivesse envolto por uma neblina, sem conseguir perceber muito bem as coisas e as pessoas, como se todo meu corpo estivesse em choque, anestesiado. Foi apenas em início de 2015 que viria a receber em Porto Alegre, RS, o diagnóstico: Perturbação do Espectro Autista. Ou seja, desde criança eu possuía este grau de autismo, conhecido antes na ciência médica como Síndrome de Asperger. Os autistas em geral possuem algo chamado desordem sensorial. Dependendo do caso, um ou mais sentidos são afetados e desregulados. Os autistas podem se sentir incomodados com certos tecidos de roupa, ou com certas cores e luzes, ou sons. No meu caso em particular, o que vim a notar era que vozes falando ao mesmo tempo, barulho muito alto, movimentação intensa de pessoas ou interrupções frequentes afetavam-me de modo negativo, causando-me mal estar, confusão mental e perda da noção do espaço. Nestas ocasiões, todo meu ser se fechava automaticamente para o interior. A audição diminuía, o mundo ao meu redor parecia abafado por uma espécie de véu esfumaçado, e as pessoas pareciam me falar de muito longe, como se pertencessem a outro mundo, opaco e sem sentido. Após iniciar tratamento com Terapia Cognitivo Comportamental, comecei a realmente descobrir como eu era e por que. Principalmente no trabalho, os efeitos que as interrupções, vozes altas, carros passando na rua, me causavam, tornou-se notório. Em 2015, antes de tirar Licença Médica, e obter adaptação para as funções do meu cargo, chegava ao ponto de caminhar mais rápido, quase a correr, quando passava por pessoas rindo ou falando alto, pois a sensação era a de que as vozes eram cortantes, e que me penetravam as costas e coluna como uma espécie de facas.




Nada melhor que um autista para sofrer intensamente o impacto da pressa e do nervosismo que contamina o mundo. E presenciei que não somente a Escola, mas a estrutura geral administrativa da educação em si, que deveria ser sim – devido a sua função social – um sistema mais equilibrado, era na verdade demasiado ansioso e neurótico. Além do meu próprio cargo, presenciei outros do sistema educacional sobrecarregados de tarefas; por vezes uma pessoa onde necessitaria duas ou até mais, para atender uma demanda contínua e excessiva de atividades. Na cidade de Santa Maria, próxima a minha, conheci uma servidora muito bem humorada e atenciosa que atendia praticamente todas as escolas próximas, tendo apenas ela o conhecimento para gerir certo programa administrativo, do qual dependia todo o sistema escolar. Durante anos, foi-me visível o seu cansaço gradual, o abalo do seu sistema nervoso, o seu estresse progressivo e a sua queda de humor. Quando uma pessoa nestas condições se aposenta, o quanto já estará reduzida a sua qualidade de vida? O interessante nisto tudo é um comentário que ouvi de uma professora também envolvida nesta massacrante parte administrativa: “Nosso trabalho exige bastante. Temos que estar continuamente prestando atenção em tudo para não errar e atender ao mesmo tempo vários problemas que vão surgindo.” Esta frase foi dita em um tom de voz particular, como se fosse algo heroico e digno estar envolvido neste processo, mascarando o que permanece ignorado por muitos. Contudo, a realidade não se cansa de gritar a verdade  por entre mares de papéis, números e dados: “exploração da força de trabalho”! Ou como diria o personagem Morfeus no Filme Matrix, enquanto segura na mão uma pilha ou bateria: “Querem transformar o ser humano nisto”. E neste panorama, o que dizer do setor mais importante da Escola, a Direção? Igualmente sobrecarregado com uma avalanche de cálculos de contas administrativas e de outras cobranças em geral. O que sobra de tempo para o diretor ou diretora se dedicar a projetos educacionais, ou dar atenção ao que é realmente essencial na escola: o processo pedagógico e a educação? Muito pouco. E neste ponto poderíamos nos perguntar: não seria esta igualmente a intenção? Afogar o sistema educacional em um maremoto de exigências burocráticas para não dar tempo aos envolvidos de pensar no principal: o aprimoramento da educação? E assim, sem avanços de discernimento, torna-se contínuo o controle de certos grupos poderosos sobre pessoas que estudam apenas para entrar como máquinas no sistema de trabalho, impelidas na sua essência pelo medo e pelo instinto da sobrevivência, sem assimilarem seus direitos de cidadãos, sem tempo de compreenderem a si mesmas, sem saberem como contribuir para modificar o mundo. Domínio, escravidão e poder. Este parece ser o objetivo secreto por trás desta fera selvagem e carnívora (a neurose da pressa e da ansiedade) que o sistema alimenta com pedaços da nossa carne viva, do nosso esforço e energia em alvoroço. E para incentivar nossa corrida suicida, o dragão oculto por trás da sociedade e dos governos lança-nos pensamentos como: “O trabalho dignifica o homem.” (E digo sim, mas não o trabalho além dos nossos limites); ou então sussurra em nossa mente de forma tão ameaçadora como o maligno Sauron, no filme O Senhor dos Anéis: “Aceite o meu domínio, se conforme, ou será pior, não terá como sobreviver.” Contudo, o preço ao longo de uma vida se revela sempre caro demais.
 


Não poderia também deixar de mencionar aqui o atual descaso do Governo com a saúde pública. Enquanto escrevo estas linhas, recordo de uma situação muito significativa. Soube de um médico de origem cubana que foi criticado pelos superiores no município em que trabalha, porque estava dando atenção demais a cada paciente que atendia. O que lhe propuseram (ou ordenaram?) era que fosse “mais ágil” no atendimento (ou seja, superficial), para que seu trabalho “rendesse mais”. Ou seja, o objetivo não era um tratamento mais adequado, mas apenas que aquele profissional por si só pudesse atender um maior número de doentes em menos tempo.  Este exemplo, porém, não é nem de perto o mais grave. Quando há falta de recursos tanto físicos quanto humanos na saúde pública, quando pessoas morrem em grande número em salas de espera, quando um médico, por falta de mais pessoal tem que escolher qual ferido ou emergência dar atenção, o que pode significar escolher quem vai viver ou morrer; então, diante de tal caos e falta de providências, com a  corrupção política, com desvios obscenos de dinheiro público – diante de tudo isto, os responsáveis por todo este estado de coisas se acomodam no conforto de seus ganhos, deixando para os que estão abaixo todo medo pela necessidade de sobrevivência, toda neurose, ansiedade, pressa ou agonia diante de um sistema precário, injusto. O que pensar disso? Pelo número de vidas arruinadas ou perdidas, o descaso dos governantes e a manutenção de um sistema como este não equivaleria praticamente a assassinato premeditado? Mas o problema central talvez seja a hipnose, a voz do Dragão que continua gritando na mente coletiva: “Corram e trabalhem! Sem tempo para pensar em mais nada! Sobreviver! Sobreviver! Ou se divertir para esquecer! Se distrair! Esquecer! E não saibam – principalmente nunca saibam – que são responsáveis por manterem no conforto e no luxo os canibais que os estão devorando.”
 


Enfim, baseando-me no que já foi exposto, eu acredito que O Muro Devorador, o seu significado ou tema pode ser pensado e utilizado como símbolo de algo bem maior, de uma questão grave presente em todos os setores sociais, além da vida pessoal de cada um. No início da história, O Muro Devorador menciona algo de minha experiência no trabalho, e no desenrolar da história apresenta uma verdadeira batalha contra a neurose da pressa e da ansiedade, que é descrita em detalhes no texto em sua furiosa representação mental e emocional. O enredo é baseado em experiências verídicas de Éverson Moraes, que desde a infância passou por situações difíceis que o ameaçaram e o forçaram a ir além dos seus limites. Em muitas de nossas conversas, eu e ele ponderamos sobre a necessidade de diminuir o ritmo, de não nos tornarmos escravos completos das exigências que o mundo impõe fora de nós. E chegamos à conclusão de que a Lei da Sincronicidade, descoberta pelo psiquiatra Gustav Jung, ou as possibilidades do vazio na ciência quântica, ou ainda, de um modo mais simplificado, a ideia de Deus, da Divindade, de uma força maior, ou outro nome que lhe seja dado, esta potência superior que a tudo rege e administra, e que também vive em nós, estaria profundamente ligada à ideia do ritmo, do sentimento e sensações geradas no tempo em nosso interior. A partir disto, e de minhas posteriores experiências com o autismo, que é uma desorientação profunda do ritmo, do tempo interno do próprio corpo, cheguei a uma definição, a uma conclusão pessoal sobre este conceito aparentemente tão insondável que a humanidade veio a chamar, entre outros nomes, de Deus ou Divindade. Com certeza diz respeito a cada um de nós, com o que fazemos a cada dia em nossas vidas, e principalmente com o nosso tempo, com o nosso ritmo pessoal. Convido ao leitor conhecer esta definição sobre a Divindade do ponto de vista do ritmo, no fim desta obra, O Muro Devorador. 

Para saber mais sobre O Muro Devorador, CLIQUE AQUI!