Empreendimentos

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O MURO (DO TEMPO) DEVORADOR


OUÇA NO FIM DESTA POSTAGEM ALGUNS TRECHOS EM ÁUDIO DA OBRA "O MURO DEVORADOR"!

Na cidade interiorana de São Pedro do Sul, Rio Grande do Sul, o escritor Dan Tell envolve um dos seus habitantes em um conto-poema tendo como tema a pressa, a ansiedade e o tempo. 

Carlos Helmuth propõe ao seu vizinho construir um muro entre as duas casas; e este trabalho acabará por trazer ao seu ajudante recordações, fantasmas do passado, velhos vampiros da dor e da pressa, reiniciando-se uma batalha que já se acreditava vencida contra uma corrida da alma, ansiosa e sem fim.

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O escritor Dan Tell nos faz entrar diretamente na mente e emoções do personagem central, fazendo-nos entender como situações da vida provocam marcas profundas no ser, programando o corpo com enorme pressa e ansiedade, que muitas vezes sem que se perceba acabam causando uma morte lenta, fazendo-nos perder o precioso tempo de nossa própria vida. 

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Já no início a história nos revela que mesmo na aparente calma de uma cidade pequena a ansiedade corre solta nas mais diversas situações; e às vezes vem disfarçada mesmo de virtude. Na praça central da cidade, acima do topo da Igreja, apenas a estátua de São Pedro apóstolo permanece inalterável em sua calma e segurança de pedra, proclamando em silêncio que cada um tome posse de sua vida. Em toda a sua postura a estátua revela incansavelmente uma lição preciosa sobre o tempo. Mas poucos são os que percebem. Quem mais ouvirá a decisiva mensagem? Talvez você?

Seguem alguns trechos deste áudio-livro. Clique nos players abaixo para ouvir.

Trecho Um:


Trecho Dois:


Trecho Três:


Trecho Quatro:


Trecho Cinco:





sábado, 22 de junho de 2013

CHI KUNG - COMANDANDO A ENERGIA DA VIDA



 (Assista um vídeo sobre Chi Kung no final deste post!)


Aqui venho relatar alguns pontos importantes da minha experiência com esta prática conhecida como Qi Gong (lê-se Tchi-kun) ou Chi Kung, em sua variante do sistema Easy Tao (Tao Fácil), que me foi apresentada em Porto Alegre, RS, pelo Mestre Wu Guang Jie (Richard), fundador do sistema Easy TAO®, presente na Europa, Antilhas e América do Sul.

Chamou-me a atenção uma afirmação de Richard (seu nome ocidental). Ele contou-nos que aprender a sentir e a manipular a assim chamada energia vital para nosso benefício é bem mais simples do que muitos podem acreditar no início. Segundo aproximadamente suas palavras, alguns alunos perguntam a seus instrutores: “Quando vou começar a sentir a energia?”, e alguns falsos mestres respondem: “Depende. Talvez venha a sentir a energia daqui a uma semana, ou um mês, ou um ano, ou talvez nunca." O que na verdade isto significa? Que o referido “mestre” simplesmente não sabe o caminho. 

Eu concluí que a essência do Chi Kung está em aprender a sentir e a conduzir a energia vital para o nosso equilíbrio e saúde, e para o desenvolvimento e o despertar de nossas capacidades naturais. Chi significa energia e kung significa arte ou trabalho. Uma interpretação livre do termo poderia ser “a arte de conduzir e utilizar eficientemente (ou sabiamente) a energia”. 

Em seu curso, Richard utilizou exemplos práticos, como por exemplo, o exercício “Expulsando as 100 mil doenças”, demonstrando a necessidade de localizarmos as tensões ou bloqueios da energia em nosso corpo, e liberá-los.   

Admirável foram as explicações sobre o essencial significado das forças duais que existem em nosso universo.  Devo dizer que nunca em todas as minhas pesquisas e estudos anteriores eu havia compreendido tão bem o significado da força positiva e negativa da natureza, o feminino e masculino cósmico, o afirmar e o negar, ou, em outras palavras, a necessidade do equilíbrio entre o fazer e o não fazer, entre a tensão e o relaxamento, o descanso e a ação, ou ainda, como é denominado mais tradicionalmente no oriente, o YING E O YANG. 



Em toda ação, é necessário certa passividade, e em todo descanso, é necessário uma certa ação. Assim, ying e yang não apenas se complementam, como um contém o outro. A compreensão disso é muito importante, já que no Chi Kung vamos trabalhar tanto com a energia positiva (yang) quanto com a negativa (ying).

Para que o aluno tenha uma percepção mais intensa da energia, o Chi Kung utiliza o movimento e a ação, unindo-o estes elementos à intenção e à imaginação, e também à respiração. A prática de todos estes elementos em conjunto torna mais fácil sentirmos o chi.  Para exemplificar isto, Richard fez uma demonstração, através de um pequeno exercício. Primeiramente, deveríamos imaginar que estávamos colhendo a maçã de uma árvore, sem expressar nenhum movimento. Depois, novamente imaginávamos a mesma ação, contudo, desta vez movimentando o corpo, erguendo a mão e colhendo a maça imaginária. O resultado deste exercício: a presença da maça se torna ainda mais palpável quando o praticante atuar também com o corpo.

Geralmente a respiração é utilizada no Chi Kung como um meio de concentração e também como um auxiliar para a ação e o movimento. Contudo, Richard alertou que seria melhor não a usarmos pelo menos no início, pois existia o perigo de criarmos tensões no corpo devido a uma urgência ou ansiedade de utilizar este recurso. Contudo, à medida que o aluno se acostuma a sentir a energia e a relaxar os pontos de tensões no  seu corpo, ele já estará mais apto a usar sua respiração para auxiliá-lo.

Nos vários exercícios que fizemos para movimentar a energia, utilizando movimento e imaginação, senti que tinha um grande destaque e importância a imagem da árvore. Realizamos várias atividades que tinham como base esta ideia. Encostávamos-nos a uma árvore imaginária, fazendo movimentos em relação à ela. Também devíamos nos sentir como a própria árvore; realizávamos uma série de movimentos tendo como base a sensação de que éramos este elemento da natureza.  Os braços movimentam-se como os ramos das árvores ao vento. Os pés tem uma forte ligação com a terra, onde penetram as raízes. Neste trabalho de abraçar uma árvore ou sentir-se como uma árvore, busca-se o contato direto com as duas conexões principais da energia (o yang, positivo, que sugere a ação, e vem do céu, e o ying, negativo, que acolhe, e vem da terra). 

Durante as atividades, Richard auxiliava, orientando-nos como deveríamos movimentar partes do corpo, ou em que posições mantê-lo durante o movimento, para que os canais de passagem da energia não fossem interrompidos ou bloqueados. 

E assim, por meio de um trabalho regular com vários elementos, unindo a ação com imagens - inclusive a ideia da árvore - seguindo  orientações de como posicionar partes o corpo para não bloquear a energia, fazendo-se  consciente das tensões para desfazê-las, vamos sendo guiados a perceber o chi e a trabalhar sobre ele.

Outro ponto essencial do curso que eu não poderia deixar de citar é o trabalho para o equilíbrio interno e para a defesa energética do nosso corpo. 

Richard demonstrou como podemos utilizar para esta finalidade certos pontos de entrada e absorção da energia presentes na palma de nossa mão. Após o aluno aprender a sentir e deslocar o chi, ele poderá retirar excessos de energia do corpo, ou ao contrário, concentrar em um órgão ou região enfraquecida mais energia. Para isto, realiza-se um movimento espiral da mão em determinada ponto do corpo, partindo do centro para a periferia, assim deslocando e retirando a energia presente naquela região. Ou, ao contrário, o aluno poderá iniciar o movimento em espiral da mão partindo da periferia para um ponto central e específico do corpo, deslocando e concentrando a energia ou chi naquele local. 

A partir da expansão do movimento em espiral da mão, sensações emocionais desconfortáveis, ou nocivas, como medo, ódio, podem ser deslocadas de regiões do corpo como o peito e transformadas, reaproveitadas, transformando-se em força para os ossos. As energias e sensações nocivas também podem ser lançadas para o sol ou para a lava no centro da terra. 

Na sequencia do trabalho com a energia, aprendemos que o princípio da utilização do chi para uma luta marcial ou para equilibrar ou curar o corpo é o mesmo, mudando apenas o enfoque. Tudo depende da nossa intenção e de como direcionamos o chi.  

Por exemplo, ao se defender de um golpe com o braço, manifestamos o chi ou energia para fora, para o exterior. Contudo, este mesmo movimento pode ser invertido, projetando ou conduzindo a energia para o interior, protegendo algum órgão ou reforçando-o. Richard nos conduziu em alguns exercícios em duplas, onde nós interagimos, com golpes e movimentação, que tinham alguns objetivos determinados, como, por exemplo, utilizar a energia sabiamente, adquirir reflexos e desenvolver as duas áreas do cérebro, fazendo-as agir em conjunto, com movimentos que exigiam atenção e a ação paralela de ambos os lados do corpo. Tivemos a demonstração de como deslocar ou derrubar um “oponente” sem esforço, utilizando o próprio movimento do outro para derrubá-lo. Da forma semelhante, explicou Richard, é possível se libertar de sensações ou energias negativas, não resistindo a elas exatamente, mas deixando-as fazerem se percurso e ajudando-as a percorrer nosso sistema, conduzindo-as para fora do corpo em seguida. Para uma sensação desagradável ou energia negativa que se agarra com muita força ao nosso organismo, Richard recomendou que utilizássemos a imagem e a ideia da árvore, com suas raízes cravando-se profundamente no solo. Assim, criando em nosso corpo um fluxo de energia ying (negativa), deslocaríamos imediatamente o que estaria nos perturbando para dentro da terra.



Nos dois dias de curso, foram dados muitos exercícios e movimentos, dos quais admito que não foi possível lembrar todos. O interessante disto, porém, foi o que Richard nos contou: “O mais importante de tudo é a intenção e a compreensão de como trabalhar ou movimentar a energia”. Assim, mesmo que um movimento não ocorra exatamente como foi demonstrado, se a intenção estiver correta, a energia irá agir. Simplificar é o essencial. Desconfio que este foi o motivo principal pelo qual Richard batizou seu sistema de Easy Tao (Tao Fácil).

Tive mais de uma experiência que comprova a eficácia do método. Contarei agora uma delas. Havia dormido até tarde e acordei sentindo certo mal estar. Ainda sonolento, lembrei-me do Chi Kung e fiz alguns movimentos com os braços e mãos, imaginando que a energia nociva era retirada do meu corpo e lançada na direção do sol além do meu quarto. Depois dormi novamente. Sonhei que estava deitado de costas para o alto e alguém fazia aplicações de energia em mim com as mãos. No sonho, algo escuro saiu de meu corpo e afundou no chão, até mergulhar na lava, no fundo da terra. Acordei me sentindo melhor. 

Outra pessoa que participou do curso contou-me que também aplicou com sucesso algumas técnicas. Ela sentia-se cansada e com um mal estar. Em seu local de trabalho, sentou-se em uma cadeira e imaginou as raízes da árvore afundando na terra. Conseguiu perceber que algo pesado e negativo realmente saiu dela, descendo por sua coluna, na direção do solo.  

Pelo que percebi, todo o trabalho do Chi Kung em torno de imagens – principalmente a da  árvore – é de vital importância, pois ensina o aluno a alcançar o equilíbrio de si, auxiliando-o na integração entre o movimento do corpo, a ação e a percepção da própria energia. Entre outros aspectos, a imagem da árvore permite ao praticante se conectar tanto ao chi do céu quanto ao chi da terra, e assim buscar o equilíbrio entre estas duas forças, tanto na prática, quanto em seu dia a dia. 



Neste momento lembro do poeta e teatrólogo francês Antonin Artaud, cujas ideias sobre o teatro exigiam que o homem alcançasse um corpo novo, livre de doenças e de reações falsas,  mecânicas. No fim de sua vida Artaud representou este corpo liberto do homem em um poema utilizando a imagem de uma árvore. Acredito ser pertinente finalizar este post com alguns trechos do seu texto. 

                     Saiba mais sobre Antonin Artaud, clicando aqui!

O Homem-Árvore
(Carta a Pierre Loeb)
Antonin Artaud
O tempo em que o homem era uma árvore sem órgãos nem função,
mas de vontade
e árvore de vontade que anda,
voltará.
Existiu, e voltará.
Porque a grande mentira foi fazer do homem um organismo,
ingestão, assimilação,
incubação, excreção,
o que existia criou toda uma ordem de funções latentes e que escapam
ao domínio da vontade decisora,
a vontade que em cada instante decide de si;
porque assim era a árvore humana que anda,
uma vontade que decide a cada instante de si,
sem funções ocultas, subjacentes, que o inconsciente rege.
(...)
Quero dizer alguns homens.
Animais sem vontade nem pensamento próprio,
ou seja, sem dor própria,
que em si não aceitam vontade de uma dor própria
e para forma de viver mais não encontraram que falsificar a humanidade.
E da árvore-corpo, mas vontade pura que éramos,
fizeram este alambique de merda,
(...)
causa de peste e de todas as doenças
(...)
Um dia o homem era virulento,
só era nervos elétricos,
chamas de um fósforo perpetuamente aceso,
mas isto passou à fábula porque os animais lá nasceram,
(...)
e a vida mágica do homem caiu,
(...)
ARTAUD, Antonin. Eu, Antonin Artaud. Lisboa: Hiena Editora, 1988, p. 105-110.

ANEXO:

Richard explicou no curso que a imitação de movimentos baseados em animais tem como objetivo potencializar a energia destes no corpo do praticante, gerando diversos benefícios, conforme a espécie escolhida. Por exemplo, uma cobra auxiliaria na cura de doenças ligadas a sexualidade; a imitação de um urso geraria força e confiança... Abaixo segue um vídeo com movimentos de animais, com o praticante de Chi Kung, Wu Dang.  




terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A Sombra do Pai

Até que ponto nós somos nós mesmos? O quanto sem saber nós somos os nossos pais? Até que ponto pesadas influências passam despercebidas, transmitidas pelos pais, transtornando de modo oculto toda uma vida?  Como tudo isto se processa dentro do ser humano?     

                                                              
         
                                                          
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Em parte baseado em fatos reais, em parte ficção, a obra literária "A Sombra do Pai" abrange um período da vida do artista francês, ator, diretor, poeta, com ideias revolucionarias sobre o teatro – Antonin Artaud.

A história: Artaud tem períodos de angústia e depressão desde a juventude, muitas vezes acompanhados por dores físicas e convulsões. Procurando desesperadamente um sentido para a vida, Artaud vem a descobrir que há algo de muito errado no mundo, e que a origem de suas dores e mal estar espiritual vão muito além de causas orgânicas. Algo obscuro, invisível, mas muito vivo e real – percorre o espaço, à solta no mundo, invadindo almas, manipulando pensamentos, a fim de deter o desenvolvimento de cada um, e aprisionar as pessoas em si mesmas. É apenas quando encontra Armand, um estranho com muito conhecimento espiritual, é que Artaud começa a compreender que o mal no mundo vive principalmente através de uma horrorosa invasão, que muitos dos seus pensamentos não são seus, mas implantados, induzidos por forças externas, sombrias.


Conseguindo viajar para Paris, conhecendo intelectuais e artistas, Artaud sente que A Arte e principalmente o Teatro possui em si um poder, uma chave capaz de libertar definitivamente a alma humana. Mas ao buscar direcionar o Teatro para este fim, não faltarão obstáculos. Forças obscuras, vozes perturbadoras, lançam toda sua fúria contra Artaud. E para sobreviver o artista precisará não apenas identificar e reconhecer essas forças, mas também mergulhar profundamente em si mesmo, e enfrentar talvez o maior trauma que lhe perturba a vida: a opressão e ressentimento que desde a adolescência sempre sentiu por seu pai.


Em uma verdadeira viagem a processos inconscientes da mente, o livro descreve como o trauma de Artaud em relação ao pai se desloca para várias situações da vida, como um fantasma terrível, destruidor, perturbando seu trabalho artístico, sua relação com colegas de trabalho, e principalmente sua vida amorosa.

Em uma proposta ousada, a letra adquire vida própria, incorporando à literatura técnicas e recursos da poesia visual – o que antes da presente obra, somente era feito na poesia.

Em trechos centrais do livro, a narrativa vai se tornando mais lírica e sombria, até que as letras saltam e se contorcem, vibram e chicoteiam sobre o espaço em volta, alterando sua forma conforme as mudanças de pensamento e sentimentos da alma.


Confira o livro, acessando o endereço abaixo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Um duro obstáculo à revolução na Arte


Antonin Artaud, artista francês, poeta, escritor, ator, encenador, destacou-se por sua rebelião contra as falsas aparências e os comodismos sociais. Sua intenção era utilizar a Arte, principalmente o Teatro, como um meio de cura e purificação do ser humano; retirar-lhe as ilusões e enganos, aproximá-lo de sua essência real. O escritor Dan Tell escreveu sobre Artaud em seu livro A Sombra do Pai. Agora vem à público um texto do autor até então inédito, que a princípio faria parte do livro, mas que foi excluído da obra por razões de adaptação com o tema principal proposto. O autor está distribuindo gratuitamente este texto por julgá-lo útil e interessante, já que revela muito do espírito deste tão famoso quanto incompreendido artista, expondo, entre outras coisas, a sua rebelião ferrenha, idealista, a sua insatisfação, a sua ira quase santa de um anjo guerreiro caído contra a comodidade e mediocridade que prospera na sociedade e na Arte. Convido você, caro leitor, a conhecer o texto. Vamos lá.   

- Conversa de Artaud com seu amigo e psiquiatra Allendy

- Que confusão vocês aprontaram, hem?                                     
O psiquiatra René Allendy, sentado em sua cadeira giratória, largou o jornal em cima da escrivaninha de sua biblioteca. Na página à mostra, o título se revelava:
FILME CANCELADO APÓS PROTESTO SURREALISTA.
Olhei apenas de relance a manchete, que já conhecia, e dando-lhe às costas, passei calmamente a observar a pequena biblioteca em que estávamos. À minha direita, na parede lateral, livros de medicina e psicologia exibiam das prateleiras o seu status de saber científico. Afastei-me deles, de sua luz muitas vezes perigosa, pois que de tão forte e rígida, facilmente cegava. Atraía-me, como sempre ocorria, uma outra estante, na parede oposta. Ali, uma natureza muito diversa de publicações, romances e peças de teatro, lado a lado com volumes sobre magia, astrologia, cabala, misticismo, numerologia, espiritismo, sempre a me sussurrar as suas promessas de sua ciência oculta. A aura de encanto que me seduzia quebrou-se quando a voz de Allendy retornou, seu tom forte e alto como um chamado de volta à realidade.   
- Diz aqui, no jornal, que depois do protesto de vocês, o filme não vai mais ser exibido.
- Eu sei – respondi, e retornei aos livros, retomando a minha atenção perdida. Procurei, entre vários títulos, até retirar um que me chamou mais a atenção.
- Devem estar morrendo de medo que vocês aprontem um novo escândalo – concluiu Allendy.
Em minhas mãos, sob uma capa de couro vermelho e duro, em letras negras bem delineadas, li o título: “A Cabala e o Poder da Palavra”.
- Quanto a isto, podem ficar descansados – Comecei a folhear o livro, detendo-me em uma ou outra página, com certa curiosidade – Daqui em diante, “A Concha e o Clérigo” não me importa mais. A diretora não quis me ouvir, fez o filme sem me consultar em nada, deturpou meu roteiro e minha proposta. Mas acabou. Este é um assunto encerrado.
- Ora, que bom ouvir isso. Estava achando que essa sua decepção ia demorar a passar.
- Pois já passou. – Fechando o volume, devolvi-o à estante, em um gesto decidido, que reforçava minha resolução. - De agora em diante, somente me importa o Teatro Alfred Jarry. É nele que vou colocar todas as minhas forças. 
- Entendo. Afinal, sei que considera este projeto muito importante.     
- Importante? Sim. Mas na verdade, essa palavra não diz tudo. O Teatro Alfred Jarry, Allendy, é minha grande esperança. Faz parte de um objetivo que eu dedicaria toda a minha vida para alcançar. 
- Ora, não duvido – Allendy ergueu-se de sua cadeira. Com curtos passos avançou em minha direção, mantendo a cabeça baixa, como se refletisse no que dizer, e quando parou, firmou-me um olhar pleno de interesse.    
- Mas agora, tenho-lhe uma pergunta – disse-me. – Se tivesse que explicar, em poucas palavras, a essência, o ponto principal do que pretende com o Teatro Alfred Jarry, o que me diria?
- Bem, acredito que já lhe falei sobre isso.
- Eu sei. Mas acho que poderia explicar com mais detalhes. E assim, quem sabe, possamos até descobrir algo novo que ainda não foi dito.                           
- Ora, meu amigo, sempre querendo tudo muito claro e bem definido, não? Mas saiba: o que pretendo vai muito além do que se faz hoje em teatro. E muito além da psicanálise, também. 
- Parece-me então uma idéia muito ambiciosa. Mas responda-me: o que é isto que vai tão longe, muito além da psicanálise? 
- O que é? Quer mesmo saber? – indaguei como se fosse um desafio. – Porque não pergunta isto à sua biblioteca?
- Como?
- Isto mesmo. Pergunte aos seus livros.
- Aos meus livros? – Allendy franziu suas finas sobrancelhas, sem entender.  
- Um pouco de atitude surrealista! – exclamei. - Vamos! Em primeiro lugar, é preciso esquecer aquela estante. – indiquei-lhe com o olhar o local, à minha direita. – Aqueles são seus livros científicos, a sua racionalidade. Não é o que procuramos. Mas aqui... – Diante da estante mais próxima, à nossa frente, eu sorri. - Poesia, romances, teatro, esoterismo, magia. Aqui, sim, tiraremos nossas dúvidas. Agora faça a pergunta de novo. Mas faça a estes livros. E sem pensar, retire um da estante. O título da capa será a resposta da nossa pergunta. Sem pensar! Certo? Faça agora! Vamos!
Com um sorriso e um dar de ombros conformado, um intelectual rendido às excentricidades de um artista, Allendy retirou rapidamente um dos livros da estante. Olhou para a edição por alguns segundos e depois me mostrou capa. A marca franzida na testa de Allendy dizia que ele não chegara a nenhuma conclusão.
- E então? – perguntou-me. – Este é o livro que responde a minha pergunta?
Surpreso, contemplei o exemplar na mão de Allendy. Era o mesmo que há pouco eu próprio havia folheado: “A Cabala e o Poder da Palavra”.
- Acha que não responde? – devolvi-lhe a questão, fitando-o seriamente.
- Não disse isso. Mas, como você o interpreta?
- Este mesmo livro, meu amigo, este mesmo livro, eu tirei há pouco desta mesma instante.
- Sério?
- Coincidência. Este é o primeiro pensamento que lhe vem, certo?
- Creio que sim.
- Mas é um pensamento pobre. Pobre porque simplista, porque não toca nossa emoção. Eu prefiro pensar outra coisa, bem mais interessante, bem mais surreal: que o livro se esforça por se mostrar. Ele tem algo importante a nos dizer. Se prestarmos atenção, saberemos: ele está falando conosco.            
Allendy sorriu diante da idéia.
- E sabe o que ele diz? – indaguei.
- Não. Mas gostaria de saber.                                         
- Ele diz: Allendy, como é que não me ouve? Já estou gritando o que posso. O que Artaud quer? O meu título diz tudo: Esse artista louco, ele quer um teatro que seja como a Cabala. Isso mesmo! A Cabala! Essa poderosa e antiga tradição mística dos hebreus. Que nesse teatro a fala tenha a força mágica dos antigos místicos e alquimistas. Que a palavra não seja apenas informação, mas também um poder. Que mesmo sem ser compreendida, provoque imagens, sentimentos, vertigens. Assim como a Cabala, todo o teatro, desde o figurino, cenário, luz, toda a encenação, enfim, deve trazer para o público uma realidade que todos desconhecem. Ou que fingem desconhecer. Mesmo que cruel, mesmo que dolorosa. Que todos sintam esta realidade, que não poderão ignorar nem esquecer. E depois de uma peça assim, como um iniciado que passou pelos Mistérios antigos da sabedoria, a platéia não será mais a mesma.
Allendy ergueu as sobrancelhas, muito espantado.
- Então é isto tudo que este livro está dizendo?
- Para mim, sim.  
- Interessante. Como psicanalista, concluo que seu inconsciente interpretou este título, e tirou as conclusões conforme seu próprio desejo.
- E como Artista, afirmo que o Livro falou – brandi o volume em minha mão, antes de devolvê-lo à estante. - e que não só ele, mas todos os outros livros, e mais, todas as coisas e objetos à nossa volta podem nos falar também. Basta sabermos perguntar e escutar. Este é o fato.
- Certo. Vejamos se entendi a idéia. Tudo pode ter um poder e um significado. Então, vejamos Até mesmo... esta caneta. – como se, ao acaso, percebesse o objeto repentinamente, Allendy retirou-o do bolso de seu casaco. – Ela pode também quem sabe lhe falar algo sobre sua busca no Teatro?
- Sem dúvida. Basta saber como escutar. 
- Então vamos ver. Tome. O que ela lhe diz, Artaud?  
Allendy estendeu-me a caneta com um brilho de interesse analítico no olhar, o qual disfarçava com um sorriso cordial. Percebi que aquela pergunta era um teste, através do qual ele observaria minhas reações, pronto a retirar delas sabe-se lá quais conclusões científicas e psicológicas sobre minha pessoa. Aceitando o jogo, recebi dele a caneta. 
- O que ela me diz? Muito bem – comecei a movimentá-la em minha mão, examinando-a em vários de seus ângulos, como que procurando, na sua forma prateada e fria de metal, uma importante revelação. - Uma caneta ... – eu ponderava. – Um instrumento de expressão, de comunicação ... – Uma pausa e, de súbito, as palavras vieram, como se a resposta despertasse do nada. - Ela me diz: Revele, Artaud, revele o que está oculto. – impulsivamente, aproximei-me da escrivaninha de Allendy, e ali vi que me esperava uma folha de rascunho solitária  – Como uma lâmina, vá direto ao coração da platéia. – desci a ponta da caneta como uma arma, ferindo a superfície macia do papel. – Vamos, Artaud, no coração de todos, abra passagem, escreva! E também na pele,  nos  nervos,  com  tinta  de  sangue  e  fogo,  que não sai! Que marca sua tinta na carne rebelde, e que não sai! Escreva! Os faça sentir! Os faça ver!  E S C R E V A!
Minha voz ecoava pela biblioteca, com fúria esganiçada, em um som agressivo, como que saído dentre as engrenagens de alguma máquina feroz. Oprimindo o papel com linhas aleatórias, em ziguezague, finalizei um círculo brusco e indefinido, em cima do qual a caneta caiu, abandonada, com um pequeno baque, como um decisivo ponto final.
Voltei-me seriamente para Allendy, minha respiração, que havia se alterado, agora acalmava-se aos poucos. Ele, por sua vez, fitava-me com atenção, sério e um tanto admirado.
- Aí está, Allendy. Sua caneta falou. 
- Pelo visto, falou sim. Foi surpreendente.     
- Este afinal é o ponto - expliquei. - Encontramos aí toda a dificuldade. Como se chegar até as pessoas? Como tornar o teatro essa lâmina afiada, que não se consegue ignorar?
- Ser ouvido... Diria que esta é a sua maior ambição?
- Minha ambição é comunicar certa realidade. Para isto iniciei o Teatro Alfred Jarry. Para torná-lo um meio de comunicação perfeita. Como chegar a isso, confesso que ainda não sei exatamente. Tenho apenas minhas idéias e a fé de que chegarei a algum lugar. Digo que não tem sido fácil. Principalmente agora, em que nosso teatro passa por uma crise, e tudo parece estar contra nós.   
Aproximando-se da única e imensa janela da biblioteca, detive-me próximo à vidraça, enquanto a tarde morria, aprofundando com suas sombras o desgosto em meu semblante. 
- Porque diz isso? – indagou Allendy.
- Por quê? É uma boa pergunta. Pode parecer estranho, Allendy, mas quando penso no Teatro Alfred Jarry, no que pretendemos fazer, e nas dificuldades com que lutamos, me vem sempre esta sinistra impressão, como um peso sobre minha cabeça. Sinto como se fosse uma força, algo externo procurando entrar em mim e me fazer desistir de tudo.
- O que mais poderia me dizer sobre essa sensação?
- Nunca sentiu algo do tipo? Que quando tentamos criar algo verdadeiramente revolucionário, capaz de mudar a essência da vida das pessoas, então a política, a sociedade, o sistema todo parece se erguer contra nós, e colocar todo tipo de obstáculo, para nos fazer parar?
- Então acredita que estão todos contra você?
- O fato, Allendy, é que não estão todos a meu favor nem em favor do teatro que eu pretendo alcançar. Mas se quer mesmo saber, eu vejo a sociedade como se fosse um grande ser. Imagine esse ser, essa inteligência, formada pelos pensamentos e pelas emoções de todas as pessoas. Esse ser com suas idéias, seus costumes definidos, não quer que lhe mostrem algo diferente. Tem medo de perder a sua falsa segurança, e se pretendem lhe mostrar algo maior, algo de fato importante, reage com ódio. Esse ser, estes pensamentos, dizem: “Caia fora, Artaud. Não queremos sua criação. Não queremos sua revelação. O mundo está bem assim. Todos dentro do buraco, como deve ser.” É claro, se estivéssemos fazendo algo que não trouxesse nenhuma mudança, um vaudeville, por exemplo, uma comédia idiota qualquer para o público rir a toa, aí seria tudo diferente. O grande espírito da sociedade bateria palmas. E tenha certeza, as portas se abririam. Teríamos o apoio de vários empresários. Afinal, o lucro é garantido! E viva o dinheiro fácil! Viva a Arte como passatempo, para distrair o público, para controlar esse gado, para que continue manso. Pois eles não devem, de modo nenhum, ver a sua prisão. Agora, um Teatro Alfred Jarry, lógico que não pode ser visto com bons olhos. Algo na escura mente das pessoas se revolta. E então perguntam: Mas o que você pretende fazer, Artaud? Propor uma nova Arte? Transformar a vida das pessoas? Fazê-las sentir o mundo, fazê-las ver o que se esconde por trás das aparências? Mas isto dará dinheiro? É isso que perguntam esses porcos. Essa gente nojenta. E aí está a razão das nossas dificuldades. (...) 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

MANTICORE, A EDUCAÇÃO QUE TE DEVORA


             
Se os tubarões fossem homens (...) também haveria escolas (...) nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões. 
Bertold Brecht
           

Como uma fera canibal e faminta, um verdadeiro e monstruoso Manticore, a tradicional Educação desde muito tempo foi um agente por demais limitado; impediu o desenvolvimento do ser humano como um todo; bloqueou parte essencial de sua expressão, inteligência e criatividade.
  O livro “O Resgate do Corpo Perdido”, em seu prefácio, nos dá uma ideia de como tudo começou. Vejamos um trecho:




“A ciência, por sua vez, surgia como um novo benfeitor, prometendo maravilhas ao homem. (...) supervalorizaria o mundo material, o físico, tudo o que pudesse ser visto pelos olhos e tocado pelas mãos.
 Neste processo a ciência colocava em primeiro plano e mente e o intelecto, a análise imparcial, quase fria, para alcançar a verdade. Em nome dessa clareza científica, o conhecimento, a pesquisa e a educação deveriam ser realizadas com “seriedade”,  ou seja, com afastamento emocional. (...) O mais puro intelecto, este novo deus, deveria surpreender e sobrepujar a emoção, considerada perigosa e incerta; e o cientista, sábio ou estudante eram incentivados a se transformarem em um grande, pesado cérebro, de onde seus corpos deveriam pender sem “excessos”, ou seja, na verdade limitados em sua emotividade e sensações, castrados em sua relação com o mundo.”

Ou seja, no campo da educação exigia-se uma seriedade  e racionalização excessivas, e assim ficavam para trás outros fatores importantes no desenvolvimento do ser humano, como a imaginação, a necessidade de se entusiasmar e mesmo de se divertir. Embora possa parecer um tanto estranho mencionar estudo e diversão como sinônimos, isto na verdade não é algo impossível ou inadequado. Apenas a nossa cultura, a nossa sociedade nos levou a pensar assim. O estudo nos foi constantemente apresentado como algo difícil que precisamos forçosamente engolir. Fomos ensinados que é preciso muito esforço para se aprender. Em outras palavras, que é um trabalho duro, que se é preciso suar e sofrer. E durante muito tempo não cogitou-se desenvolver-se meios para despertar a criatividade e o prazer, a fim de que o conhecimento pudesse ser melhor e mais facilmente apreendido. O grande Bertold Brecht, genial escritor e diretor alemão de peças de teatro, foi um dos que não aceitaram separar a educação do divertimento e do prazer. Escrevendo magníficas peças de teatro, sempre se preocupou em transmitir lições e aprendizados sobre a vida, sobre as relações entre os homens, associando a isto a diversão.

                 Brecht 


Diversão e conhecimento. Prazer e reflexão, para Brecht, sempre deveriam caminhar juntos. Uma lição que poderia enriquecer o sistema educacional, mas que tragicamente permaneceu ignorada pelos educadores por muito tempo. David Icke, famoso escritor e conferencista  britânico, denuncia este tipo de educação separada da criatividade como um fenômeno que acaba por sobrecarregar um lado do nosso cérebro, de modo que outra parte nossa acaba por se desenvolver muito pouco. Segundo suas próprias palavras:
  


“Isto é o que acontece em nosso sistema de educação. Um doutrinamento. Pois temos dois hemisférios no cérebro. O cérebro esquerdo é onde se encontram as palavras, este mundo como é conhecido. Temos o cérebro direito, onde obtemos a criatividade, a inspiração. O problema é que a educação atual nos faz prisioneiros do cérebro esquerdo. Isto é feito colocando-se informação em nosso cérebro esquerdo através das escolas, cursos preparatórios e universidades. No momento de um exame nos é dito que devemos devolver toda uma informação que nos foi passada. E se nós dizemos corretamente o que já nos foi dito, então passamos no exame. Resultado: somos aplaudidos. Mas qualquer um que tome essa informação e a leve até o cérebro direito, e a devolva, questionando-a, enxergando novas possibilidades, e ponha isto de volta no exame – esta pessoa é vista como uma influência destrutiva para os demais. O que acontece é que: para você converter-se em um doutor, um prestigioso político, um advogado, alguém da mídia; de todas essas áreas que controlam o sistema – os profissionais... Para chegar a isto você tem que passar a sua jovem vida constantemente levando informação até seu cérebro esquerdo, e vomitando essa informação nas páginas do exame. Para converter-se em um professor, tem que passar por este processo, no qual lhe ensinam o que deve dizer aos outros. Todo o sistema gira em sermos prisioneiros do cérebro esquerdo. Se você observa o sistema escolar, as áreas da música e da arte, que estimulam o lado direito, criativo do cérebro, são deixadas constantemente em um segundo plano. E são somente engrandecidos os currículos do cérebro esquerdo. E isto é sistemático. É planejado por pessoas que administram esta realidade. Isto é friamente calculado. Quem planeja tudo isto sabe o que está fazendo.” 

Seguindo o pensamento de Icke, com estes dons como a criatividade, a reflexão, o prazer e a imaginação sendo desestimulados, praticamente massacrados pela mais fria lógica, a Educação veio infelizmente se transformar em uma espécie de grotesco Manticore mitológico, que por trás de falsas boas intenções devora aos poucos as almas. Aliás, é desta forma exata que o Sistema Educacional foi genialmente representado em dois episódios da série de Banda Desenhada conhecida como Livros de Magia, do famoso escritor Neil Gailman. Vejamos esta história e o que ela tem a nos ensinar. 
O Mundo das Fadas e de outros seres fantásticos está morrendo. As árvores estão secando e em seu lugar surgindo desertos. Timothy Hunter, um menino com dons mágicos, acaba encontrando o responsável por tudo. Curiosamente, o indivíduo que está causando a devastação daquele mundo mágico é um professor. Sua figura é inquietante. Pele pálida, longos cabelos vermelhos, um sobretudo preto, boca enorme escancarada com presas afiadas. Em sua mansão, este ser sinistro tem vários alunos que são progressivamente torturados; tornam-se apáticos, quase como que zumbis ao longo do sua “educação”. Pelo pátio e certos lugares da mansão ossos humanos são misteriosamente encontrados.



Com um falar entusiasmado e citações em latim puro, o incomum professor tenta tornar o jovem Timothy Hunter seu aluno. 



Muito interessante é a cena em que o professor leva Timothy para conhecer uma galeria muito incomum. Seres fantásticos, fabulosos, representantes da criatividade e da imaginação, encontram-se mortos e mumificados, transformados em estátuas. Eu simplifico o mundo, diz o professor. Em outras palavras ele quer dizer: “destruo estes seres, sua possibilidade de existir, o lado imaginativo e criativo humano”.



Ao explicar cada ser fantástico de sua coleção, o professor desmente a origem extraordinária de cada um, encontrando explicações racionais e científicas, classificando a existência de todos como “pura lenda”. Em outras palavras, está sempre disposto a negar que algo extraordinário, fora dos padrões já conhecidos, possa existir. A verdade é apenas o que já foi anteriormente catalogado, reconhecido, estudado, e tudo o mais deve se adaptar a isto. Timothy Hunter, contudo, se recusa ser um aluno obediente e se rebela contra o professor, revoltando-se principalmente com o assassinato de todas aquelas criaturas mitológicas, símbolos vivos da imaginação criativa. É então que o professor se transforma, revelando sua verdadeira forma: um monstruoso Manticore, ser mitológico descrito como tendo corpo de leão e cabeça humana. 



  

Timothy não aprendeu sua lição. Não aceitou receber toneladas de informações mortas em seu cérebro esquerdo, não aceitou deixar de refletir, de pensar, de imaginar. Não se deixou tornar um mero repetidor de tudo o que lhe queriam passar. Em resumo, não foi um aluno exemplar. E o que faz o Manticore na história parece refletir toda a atitude de um sistema diabólico que infelizmente têm se manifestado na personalidade e no inconsciente de muitos. O aluno rebelde precisa ser logo parado, detido. E como última alternativa, não vendo mais outra opção, o Manticore decide logo devorá-lo...


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SE OS TUBARÕES FOSSEM HOMEMS – TRECHO
Se os tubarões fossem homens, (...)
Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos. 
         
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas; nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões.

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